ACTC - Casa do Coração

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20/03/2016

DOUTOR RESPONDE

Pergunta: Qual a relação entre saúde bucal e doenças do coração?

Resposta: Existe uma relação próxima e direta entre a saúde bucal e doenças do coração no que diz respeito, principalmente, à presença de profilaxia inadequada bucal, com consequentes complicações infecciosas no próprio coração.

Em qualquer cardiopatia congênita, independente da anomalia específica, o fluxo anômalo presente em algum nível, atrial, ventricular, arterial e/ou valvular, propicia, ele próprio, o aparecimento de lesões no endocárdio (membrana interna do coração) ou no endotélio (membrana interna das artérias e veias), conhecidas como "lesões de jato". Nestas lesões podem se instalar germes, principalmente bactérias, por ocasião de manipulações bucais como em procedimentos gengivais e nos dentes, após extração dentária, tratamento de canal dentário ou de cáries profundas peri-gengivais. Em decorrência do manejo dentário, criam-se condições para a penetração do germe presente na corrente sanguínea que se aloja a seguir na lesão endocárdica e endotelial, causando assim a chamada ?endocardite ou endotelite infecciosa?. 

Torna-se importante salientar que esse mesmo quadro pode se repetir, de maneira semelhante, em presença de outros sítios com infecção como na pele (abcessos, feridas), nos seios da face (sinusite), na faringe e amídalas (amidalite), etc.

As complicações infecciosas nas lesões de jato descritas agravam mais ainda o quadro geral, em vista de que, permanentemente, os germes são impulsionados para a circulação sistêmica, causando uma situação mais grave ainda que é conhecida como ?septicemia?, por causar infecção em outros sítios do organismo, como rins e cérebro. Além disso, essas infecções causam aumento das lesões cardíacas primárias já existentes, em especial se a infecção se instalar nas válvulas cardíacas.

Dessa maneira, a saúde bucal se afigura como uma preocupação e tática importantes e obrigatórias no manejo clínico de paciente portador de alguma anomalia cardíaca, tanto de origem congênita, quanto adquirida por lesão valvular, em período pré-operatório e mesmo após a operação corretiva, desde que permaneça algum defeito residual.

Por isso, importa salientar a necessidade de sempre se fazer a devida profilaxia antibiótica em presença de alguma anomalia cardíaca, antes da execução de qualquer tratamento dentário e/ou gengival, estendendo-se ainda a qualquer outra intervenção cirúrgica, caso necessária, como para apendicectomia, amidalectomia e assim por diante.

As lesões congênitas que mais frequentemente estão associadas à Endocardite infecciosa incluem persistência do canal arterial (PCA), defeito do septo ventricular e tetralogia de Fallot. Além disto, considere-se também a estenose pulmonar, a coarctação da aorta e o defeito do septo atrial do tipo ostium primum, valva aórtica bicúspide, estenose aórtica calcificada, prolapso da valva mitral. As próteses ou outros materiais não nativos (próteses valvares, xenoenxertos ou retalhos intracardíacos) representam, também, um fator de predisposição importante para o desenvolvimento de infecção.

 As localizações comuns das infecções que causam vegetações (fibrina e plaquetas com germes) correspondem à superfície ventricular da valva aórtica na insuficiência aórtica, à superfície atrial da valva mitral na insuficiência mitral, à superfície do ventrículo direito adjacente a um defeito do septo ventricular, à artéria pulmonar que se encontra em oposição ao canal arterial pérvio.

Os microrganismos pertencentes à flora das superfícies mucosas ou cutâneas penetram na corrente sanguínea espontaneamente ou após a manipulação dessas áreas. A maioria dos autores acredita que as manipulações odontológicas (inclusive a limpeza dos dentes), especialmente na vigência de doença periodontal, a instrumentação do trato geniturinário ou do trato respiratório superior, bem como as doenças gastrintestinais produzem bacteriemias (germes na corrente sanguínea) transitórias, que seriam capazes de iniciar a infecção cardíaca e/ou artéria.

Por fim, para a obtenção de adequada saúde orgânica dos pacientes portadores de anomalias cardíacas em geral, reforça-se que devam os mesmos necessariamente se cuidarem de maneira mais responsável em relação à manutenção de condições de higiene e de hábitos saudáveis, tanto bucais quanto do organismo como um todo. Não se trata de conceitos e de atitudes alarmistas, mas sim de profilaxia adequada na prevenção de doenças evitáveis.
É conhecido na medicina de que é preferível evitar do que curar.

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