ACTC - Casa do Coração

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02/04/2016

"É preciso ter muita fé, força de vontade e esperança para seguir em frente"

NOTÍCIA DAS MÃES: Depoimento da mãe/acompanhante Aparecida Carvalho Arruda Justo à educadora Cristina Macedo Tomaz

Tenho 43 Anos, nasci em Londrina, Paraná, e atualmente moro em uma cidade próxima, Toledo.  Somos sete irmãos e passamos a infância na roça, meus pais eram agricultores e trabalhavam na colheita de algodão e café. A partir dos quinze anos passei a ajudar na lavoura, época do falecimento do meu pai.

Fiz até a antiga 4ª série na escola rural da nossa região, eram classes seriadas, tenho boas recordações dessa época, tudo era mais simples, havia muito respeito entre todos, alunos e professores. Foi na fazenda que conhecei meu marido. Depois de casada, mudamos para a cidade, época que consegui voltar a estudar, terminando a 8ª série. 

Tenho três filhos: Érica com 21 anos, Joyce 19 anos e Diego 17 anos. Eu me orgulho muito deles, pois todos são batalhadores e estudiosos.  Eles me dão ânimo para continuar, pois me separei em 2008 e, para manter a casa, passei a trabalhar como diarista.
Quando Joyce nasceu, observamos que cansava para mamar e que não tinha um desenvolvimento normal. Aos sete meses foi diagnosticada com cardiopatia. No entanto, só quatro anos depois fomos encaminhados para o INCOR, pois o caso dela seria de transplante, o que aconteceu em 2001. Assim, tinha que vir a São Paulo a cada 60 dias.

No início da nossa estadia na cidade, ficamos em casa de parentes, mas em 2005 fomos encaminhados para a ACTC - Casa do Coração. No começo achei tudo muito estranho, eu vivia em um mundo pequeno, de repente tinha que conviver com pessoas tão diferentes e me adaptar a novas regras.  Além disso, não sabia me locomover na cidade, o que me dava um sentimento de estar perdida na multidão. 

Joyce, hoje com 19 anos, leva uma vida normal, fez o Ensino Médio e quer fazer a faculdade de Serviço Social. Desde fevereiro de 2015, ela entrou na fila para refazer o transplante, porque as veias coronárias entupiram, assim temos que permanecer na ACTC - Casa do Coração.
Só comecei a bordar no final do ano passado.  Apesar de vir frequentemente aqui, nunca havia me interessado porque achava difícil, imaginava que não daria conta. Quando fui tirar minha carteira de motorista tive o mesmo medo, receio do julgamento das outras pessoas.  
Ao aprender a bordar superei o medo, descobri que devagar a gente vai progredindo, não é um bicho de sete cabeças. Tenho muito que aprender, já participei do projeto Memórias infantis, mas ainda estou penando com o ponto matiz. As oficinas são muito divertidas, conversamos e sempre aprendemos alguma novidade, adorei fazer passarinhos.
Bordar, além de nos ajudar financeiramente, distrai e faz a gente se sentir muito bem, pois estamos aprendendo e evoluindo. Quando bordo, parece que me fixo naquilo, quero sempre terminar o que comecei. Ficar sem bordado é muito ruim, fico igual a uma barata tonta, procurando alguma coisa para fazer.

Estou há um ano na ACTC - Casa do Coração. Ficar longe de casa dá muita angústia, às vezes tenho vontade de sair da fila e ir embora, bate uma saudade grande dos meus filhos e da minha vida.
Joyce está bem, é muito positiva, ela me dá força, por isso disfarço minha tristeza. Não tenho data para voltar para casa, mas é preciso ter muita fé, força de vontade e esperança para seguir em frente.

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